segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O TEMPO

Um assunto que me fascina é a alteração da percepção da passagem do tempo que nos acomete tão frequentemente. Sobre isso já falou Thomas Mann em A Montanha Mágica, que explico, em linhas muito simplificadoras : o tempo passa mais devagar quando estamos aprendendo alguma coisa, vivendo algo novo e passa muito rápido quando não aprendemos nada, só reproduzimos o mesmo. Em termos ; eu poderia levantar algumas dúvidas mas dá o que pensar e gravou-se profundamente porque a experiência da leitura deste livro me provocou uma alteração radical. Radical - porque é claro que ordinariamente todos sentimos perfeitamente o tempo voar, se arrastar, passar angustiantemente devagar, correr a galope, etc.. A narrativa, que fala muitas vezes sobre o tempo, foi me desorientando a ponto de eu não saber há quantos dias estava lendo o livro. Juro que é verdade. Achava que era domingo, fui ver, era quarta-feira de cinzas, eu havia começado na sexta feira , feitas as contas, não dava mais tempo de ver o desfile da Império Serrano, nada. No carnaval de 1991, entrei na Montanha na sexta feira e só saí na quarta feira, literalmente. Tipo aqueles caras que saem nos blocos de Olinda, dias e dias na esbórnia.

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