sábado, 20 de fevereiro de 2010
Nem sempre a leveza
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
O FOGO
Eu não sei nada da vida rural e minha falta de habilidade para as tarefas mais simples do universo campestre é risível. Acender a salamandra do meu quarto e mantê-la acesa é dos maiores desafios que já enfrentei. Penso nas figuras de linguagem ; avivar o fogo, manter o fogo aceso e sei que nunca as compreendi verdadeiramente, assim como todas as gerações urbanas, acostumada ao fogo fácil do fogão a gás. Em São Paulo também tinha uma salamandra mas era moleza. Usava toras de eucalipto cortadas à perfeição, ultra secas, praticamente industriais. Aqui tenho de me haver com uma lenha feita de gravetos, galhos e troncos caídos que ficaram duas semanas tomando chuva. Não importa, meu nome é Caramuru ( ou será Anhanguera?). E ainda esqueço o que sabia.
Hipotéticos
O TEMPO 2
Desde sempre reparei que tudo anda mais devagar. Eu ainda era só uma turista a flanar em Lisboa e - quanta graça – a quase majestosa fleuma dos atendentes de balcão, negando-se terminantemente a ouvirem mais de um pedido ao mesmo tempo, não digo atenderem. Se tiver uma dezena de pessoas e três delas pedirem um café ao mesmo tempo, tudo pára . Uma pessoa pede um café, ele entrega o café e SÓ DEPOIS o outro pedido pode ser enunciado. Senão eles param de atender para dar um pito no cliente afoito. Acredite se quiser. Ao Seu Zé da Padaria da Rocha servindo 8 pingados, 10 pães na chapa, 3 sucos - dois com açúcar e gelo, o outro natural, pra já seu Zé,por favor, que eu tô atrasada, meu respeito e minhas saudades.
Até os caixas de supermercado parecem em câmera lenta. Outro dia tomei conhecimento de uma estatística : a produtividade é 30% menor em Portugal que no resto da União Européia. Obviamente, minha impressão sensível não deve ter nada a ver com os métodos e as finalidades da tal estatística. Mesmo assim tenho certeza de que qualquer paulistano diante de uma linha de produção portuguesa ia ter a mesma sensação: tá lento. Aqui no interior, esse mesmo paulistano, certamente sentiria ganas de matar ou morrer diante da lerdeza quase generalizada. Quero dizer, um paulistano hipotético.
Parodiando Nelson Rodrigues, é claro que toda generalização é burra. Veja bem, é um país que, pelo tamanho, realiza coisa a beça. Como se diz aqui e lá, devagar também se vai longe. Eu tenho sentimentos ambíguos . Por um lado, sinto até um certo orgulho de ter me libertado deste condicionamento neurótico, a pressa constante. Por outro, bem, por outro lado, a agilidade e a rapidez são uma beleza. E o belo e o bem…