sábado, 24 de julho de 2010

Meruge

As festas na aldeia têm barracas de comida e artesanato e também música e dança. Me senti no túnel do tempo

Belmonte


Portugal, como se sabe, tem uma comunidade judaica minúscula. Belmonte é considerada a cidade mais " israelita" e sequer tem um rabino residente. Nós fomos lá.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Toda arte aspira a ser música

Eu concordo e mais uma vez não lembro quem disse isso. A minha cabeça está cheia de idéias dos outros e eu não pago direito autoral. Vergonha.
Voltei ao violão. Há tanto tempo não cometia uma musiquinha.
Ontem saiu essa. Acho que vai chamar " Sentindo"

Nos tempos do conformismo
se acredita que energias emanam
dos relógios parados dentro de casa,
mas se ignoram os genocídios,
se consente a mentira de ministros de estado,
se assiste passivamente os crimes de guerra
justificados com cinismo nos mesmos discursos
que falam de liberdade.
Não se acredita em nada e se suporta tudo.
E todos à procura de um afeto para suportar o vazio do mundo.

terça-feira, 20 de julho de 2010

claridade da manhã

Essas flores se parecem com a Clara Clarividente. São simples, lindas e perfumadas. E tão modestas que devem ter estudado na sua escola de boas maneiras.
Eu ia ficar triste hoje, confesso que ia. Mas o sol veio beijar a relva logo cedo e eu aspirei estas alfazemas aí do lado e me convenci: logo, logo ela vem nos ver. E foi assim que ficamos contentes, as flores e eu. Agora, Clarilinda, só falta sarar. Não demora, até as alfazemas sentem sua falta.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Choramingas

O verdadeiro sexto sentido é a propriocepção. Graças a ela, ao nos movermos, temos a percepção de como nosso corpo ocupa o espaço, como nossos membros superiores e inferiores estão posicionados, sem olhar. É por isso que quando a estrutura corporal se altera bruscamente como no caso da adolescência nos tornamos desastrados. Todo mundo que já teve de enfaixar um dedo do pé por causa de um machucado sabe que aí é que não se consegue parar de dar topadas. E quando a alteração é do ambiente ? O sexto sentido também dança. Arranhões, cortes, luxações, pancadas. Cedo descobri que o hábito de colocar a panela para aquecer e abrir o vidro de molho depois, é totalmente impossível aqui, porque tenho que usar as duas mãos e fazer muita força. Aliás tenho que empregar o dobro da força que me habituei ao longo de 40 anos para abrir qualquer frasco. As embalagens tetrapck são mais grossas, tudo que é colado parece ser projetado para resisitir ao Armagedom, as latas podem amputar um dedo, o plástico que embala os pacotes de várias unidades, não pode ser rasgado, tem que se usar a faca. São quase tão grossos quanto lona plástica de caminhão.
E porque é que eu estou falando destas ninharias ? Para ver se esqueço a dor e queimação das minhas mãos que acabam de ser picadas por urtigas que nasceram ao lado dos espinafres. E o buraco no pé que fiz usando uma havaiana ao caminhar sobre a relva - aparada. Os caules parecem arames. É isso aí. Uma inocente ida à horta exige luvas e botas. Tudo pica, espeta, rasga e machuca. Estou tentando manter a calma.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Na ilha por vezes habitada

Desde a morte de Saramago, procurava algo dele para colocar aqui. Veio, finalmente, de Eliana, com quem partilho muito da poesia desta vida.
Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.Então sabemos tudo do que foi e será.O mundo aparece explicado definitivamente e entra em nós uma grande serenidade, e dizem-se as palavras que a significam.Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.Com doçura.Aí se contém toda a verdade suportável: o contorno, a vontade e os limites.Podemos então dizer que somos livres, com a paz e o sorriso de quem se reconhece e viajou à roda do mundo infatigável, porque mordeu a alma até aos ossos dela.Libertemos devagar a terra onde acontecem milagres como a água, a pedra e a raiz.Cada um de nós é por enquanto a vida.Isso nos baste.