sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Azeitão e eleições

O ano passado houveram eleições aqui, para os Conselhos, o equivalente às nossas municipais. Foi em Azeitão que testemunhei a única cena tola e populista que me lembro. Uma charrete, com pessoas vestindo roupas típicas, divulgando um candidato com bandeirolas. Tudo mais que vi e ouvi foram debates políticos. Mais ou menos interessantes mas políticos. Com um detalhe. Não vi ninguém que, mesmo se declarando de direita, fosse capaz de um discurso remotamente próximo ao reacionarismo dos que se dizem centro e centro-esquerda no Brasil. Nem os monarquistas são tão equivocados quanto este Partido Verde pentecostal que quer abolir o estado laico ao mesmo tempo que combate o darwinismo.
Nem as velhinhas católicas que me abordaram pedindo que eu assinasse uma petição contra o casamento homessexual, o que obviamente declinei, exibiram qualquer atitude remotamente parecida com as grosseiras e preconceituosas colocações de alguns colegas ao falar das pessoas atendidas pelo programa social mínimo brasileiro. Quanta diferença do nosso indigente debate brasileiro. Quanta vergonha e tristeza eu sinto.





quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mais Portugal

Arganil é bem pequena e não fica muito longe daqui. Há outras fotos talvez mais ilustrativas do que é a aldeia mas acho que este armazém é mais significativo de outra coisa. A permanência da história inscrita na cidade que me trouxe uma outra, muito distante. Havia um armazém parecidíssimo com este no caminho para a cidade do meu pai, Terra Roxa. Da fachada à inscrição mudaram tudo. Como mudaram a praça da cidade, as fachadas de quase todas as casas, sem que a cidade tenha sequer melhorado em algum aspecto. Eu não sou passadista mas esta obssessão por apagar todas as marcas do passado, tão comum no Brasil, me dá um mal estar. Acho patológico.