Dois garotos com menos de doze anos, na preguiça do final da tarde.
- Ó pá, mas se te digo que o cão não te vai morder.
- Ai, é ? Está a te armar em parvo ou o quê?
- Estou te a dizer. O cão não te vai morder, ó pá.
- Não. Só vai brincar às minhas carnes.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Solidariedade
Ontem andei falando por aí como está faltando solidariedade e delicadeza. Hoje, a técnica do mamógrafo, apertou o botão da prensa e começou a me contar como o dia dela estava infernal. Eu só consegui ouvir por uns 20 segundos porque quando não aguentava mais a dor, lembrei que ainda ia demorar o tempo dela fazer a imagem. Disse um ai, meio como quem pede desculpas. Ela deu-se conta e foi pra trás da máquina fazer o serviço. Bem, pelo menos não me bateu.
sábado, 4 de junho de 2011
Malfadadas coisas que apitam
São Paulo continua extraordinária. O Rio pode ser lindo mas só São Paulo me faz sucumbir. Para bem e para o mal. Quando cheguei à Quinta, o que primeiro me fisgou foi o silêncio, óbvio. Neste retorno a Sampa nóia, como diz Darcy, o que me derrubou foi o ruído. Meus adoráveis anfitriões moram num terceiro andar, um apartamento agradável e bem localizado. O único inconveniente é que os quartos tem janelas para a rua. Você acorda com a cidade dentro da sua cabeça, um massacre da subjetividade. Na sala ou na cozinha, ela ainda parece distante mas quando sua cabeça está sobre o travesseiro a cidade te invade como um estuprador. Em compensação fui fecundada em vários sentidos. Muitos encontros. Um deles com a Natália que me diz que eu disse isso em aula : "malfadadas coisas que apitam" a propósito de... não importa. Ela me explicou e eu entendi que é uma expressão que bem se pode aplicar a muitas coisas. Sem os alunos eu seria bem mais obtusa, esta é que é a velha verdade.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
O antes e o depois
Eu gostaria de sonhar menos principalmente porque meus sonhos tantas vezes descambam para uma interpretação pueril dos restos do dia que... Hoje, como em tantos dias, acordei com a última frase - provavelmente dita a algum chapeleiro maluco em um cenário que não me lembro mas sempre sei reconhecível. Não importa - dizia eu - somos milhões a morrer para sustentar as suas futilidades. E como nunca, senti a paz dos que já não tem nada a perder.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Como sempre as aparências
Então, eu deixo aqui a imagem de um dos meus vasos que ele resolveu fazer de brinquedo. Os outros são : mandíbulas de ovelha, chifres de carneiro e ossos de porco ( a perna inteira) . Com ele uma bolinha não dura mais que um chiclete. É muito fácil se enganar quanto às aparências. Quantas feras não se escondem por trás de tipos bem postos ?
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
O homem não consegue viver sem um significado
Eu confesso que as idéias do Jung nunca me atraíram. Só que este companheiro de Café me falou de uma entrevista que está no youtube. Fui lá ver e comecei a mudar de idéia. Vou reler Jung. Por falar em sincronicidade, um tema caro a ele, que é que esse psicólogo tinha de puxar coversa comigo no Café ?
domingo, 9 de janeiro de 2011
Cilada
Já fui assaltada algumas vezes por essa suspeição. Agora, oficializo. Deviam carimbar nas passagens de avião, nos documentos de identidade dos brasileiros, na capa dos notíciários nacionais : o Ministério da Saúde adverte, o Brasil pode provocar crise de ansiedade. Recebi a Revista da Livraria Cultura e comecei tranquilamente a ler uma matéria sobre correspondentes internacionais. Terminei um pouco inquieta. Me dei conta que tenho acompanhado muito superficialmente o noticiário pátrio. Crise de civismo instalada, vamos ao garimpo. Passei duas horas lendo. Pânico. Quanta diversidade, quantos problemas diversos, quantas realidades díspares, quanta heterogeneidade, fui lembrando, quanta gente louca, quanta gente linda, quanta gente sã, talentosa, genial, estúpida, facínora, selvagem, educada, sofisticada, tosca, quantos problemas, quanto potencial, quantas velhas questões manjadas, quantas surpresas diárias, quanta coisa que não se ouviu falar, quanta bobagem eternamente repetida, quanta vontade de fazer, quanto atraso, quanto impulso, quanta retranca, quantos erros, meus deuses, quantos deuses, quanta vontade de acertar, quanta boa vontade, quanta bandidagem, quanta suavidade, quanta barra pesada. De repente descobri : O BRASIL É UM MUNDO, O BRASIL ME DÁ ANGÚSTIA. Acrescente-se os recuerdos dos quatro cantos da minha errância turística, meus laços fraternos de leste a oeste , minha curiosidade cultural de norte a sul e a diversidade, e a diversidade, e a diversidade, e de repente me percebi feito uma estrangeira : atordoada. Me senti numa cilada. Acreditem : ser brasileiro é para fortes.
Assinar:
Comentários (Atom)