quinta-feira, 8 de julho de 2010

Choramingas

O verdadeiro sexto sentido é a propriocepção. Graças a ela, ao nos movermos, temos a percepção de como nosso corpo ocupa o espaço, como nossos membros superiores e inferiores estão posicionados, sem olhar. É por isso que quando a estrutura corporal se altera bruscamente como no caso da adolescência nos tornamos desastrados. Todo mundo que já teve de enfaixar um dedo do pé por causa de um machucado sabe que aí é que não se consegue parar de dar topadas. E quando a alteração é do ambiente ? O sexto sentido também dança. Arranhões, cortes, luxações, pancadas. Cedo descobri que o hábito de colocar a panela para aquecer e abrir o vidro de molho depois, é totalmente impossível aqui, porque tenho que usar as duas mãos e fazer muita força. Aliás tenho que empregar o dobro da força que me habituei ao longo de 40 anos para abrir qualquer frasco. As embalagens tetrapck são mais grossas, tudo que é colado parece ser projetado para resisitir ao Armagedom, as latas podem amputar um dedo, o plástico que embala os pacotes de várias unidades, não pode ser rasgado, tem que se usar a faca. São quase tão grossos quanto lona plástica de caminhão.
E porque é que eu estou falando destas ninharias ? Para ver se esqueço a dor e queimação das minhas mãos que acabam de ser picadas por urtigas que nasceram ao lado dos espinafres. E o buraco no pé que fiz usando uma havaiana ao caminhar sobre a relva - aparada. Os caules parecem arames. É isso aí. Uma inocente ida à horta exige luvas e botas. Tudo pica, espeta, rasga e machuca. Estou tentando manter a calma.

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