sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O FOGO


Eu não sei nada da vida rural e minha falta de habilidade para as tarefas mais simples do universo campestre é risível. Acender a salamandra do meu quarto e mantê-la acesa é dos maiores desafios que já enfrentei. Penso nas figuras de linguagem ; avivar o fogo, manter o fogo aceso e sei que nunca as compreendi verdadeiramente, assim como todas as gerações urbanas, acostumada ao fogo fácil do fogão a gás. Em São Paulo também tinha uma salamandra mas era moleza. Usava toras de eucalipto cortadas à perfeição, ultra secas, praticamente industriais. Aqui tenho de me haver com uma lenha feita de gravetos, galhos e troncos caídos que ficaram duas semanas tomando chuva. Não importa, meu nome é Caramuru ( ou será Anhanguera?). E ainda esqueço o que sabia.

Um comentário:

  1. Não é a toa que a deusa romana que resistiu a helenização foi a que protegia o fogo doméstico... tinha que ter moral mesmo pra fazer isso, rs.
    Agora... quanto ao tempo... Sei lá. Sou partidário do devagar, embora seja um super ansioso. Fiquei pensando... quando as coisas parecem que vão devagar. Talvez não tenha a ver com a novidade em si. Mas com a satisfação que se tira de cada coisa nova. Quando estou realmente feliz aguento ver o vento passar devagar entre as roupas no varal e o sol secar o piso molhado. Não tem nada novo aí, mas se estou feliz, isso faz parte da minha felicidade. Bem, talvez a felicidade sempre pareça uma novidade.

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