sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Portugal, Brasil.

O Porto tem mesmo qualquer coisa de Rio de Janeiro. Claro que o mais correto seria dizer o contrário, afinal, foi o Porto que nasceu primeiro. Eu penso que um mercado central com nome de Bolhão, por exemplo, ficava perfeitamente bem ao lado da Central do Brasil. O que me intriga é a presença do Brasil no imaginário português. Não me lembro de ter assistido a algum telejornal em que o Brasil ou os brasileiros não fossem citados. Ontem foi o próprio Sócrates, o primeiro ministro. A discussão sobre o controle de renda e patrimônio corria solta no parlamento. Debate inflamado, defesa de que a fiscalização sobre ganhos deve ser rigoroso. Vai então o ministro mor e me sai com esta " ...mas então que se diga : veio cá isto (o dinheiro) de uma tia, uma tia lá do Brasil (risos gerais) porque senão, o gajo vai ter explicar de onde veio o dinheirinho... (sic)". Antes de ontem foi uma senhora, cuja identidade vinha protegida pois agora vive em um centro de proteção à vítimas de violência doméstica " Eu já andava desesperada. Já pensava em fugir, pensava : vou me embora para o Brasil...". No outro dia foi... todo dia tem algo do gênero.
Nem vou comentar sobre o desejo geral de ir ao Rio de Janeiro, voltar ao Rio de Janeiro, conhecer o Rio de Janeiro, conhecer a Bahia, e que tal Brasília, e Fortaleza, ah, tão grande, tão grande esse país.
Tem outra coisa. Todos, eu disse, todos os portugueses com os quais conversei praticamente ignoram as influências africana, indígena, italiana, etc.na cultura brasileira.
Parece aquela avó ciumenta que quando você começa a falar da outra avó, muda de assunto. Aliás, eu tenho mesmo a impressão de que nosso parentesco é este. Irmãos que nada. O Vô não se conforma. Seja para elogiar, seja para criticar, o neto não lhe sai da cabeça. Já o neto, só fala do vô se perguntado : " Ah.. Meu avô é legal.".

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