
O Porto tem mesmo qualquer coisa de Rio de Janeiro. Claro que o mais correto seria dizer o contrário, afinal, foi o Porto que nasceu primeiro. Eu penso que um mercado central com nome de Bolhão, por exemplo, ficava perfeitamente bem ao lado da Central do Brasil. O que me intriga é a presença do Brasil no imaginário português. Não me lembro de ter assistido a algum telejornal em que o Brasil ou os brasileiros não fossem citados. Ontem foi o próprio Sócrates, o primeiro ministro. A discussão sobre o controle de renda e patrimônio corria solta no parlamento. Debate inflamado, defesa de que a fiscalização sobre ganhos deve ser rigoroso. Vai então o ministro mor e me sai com esta " ...mas então que se diga : veio cá isto
(o dinheiro) de uma tia, uma tia lá do Brasil
(risos gerais) porque senão, o gajo vai ter explicar de onde veio o dinheirinho...
(sic)". Antes de ontem foi uma senhora, cuja identidade vinha protegida pois agora vive em um centro de proteção à vítimas de violência doméstica " Eu já andava desesperada. Já pensava em fugir, pensava : vou me embora para o Brasil...". No outro dia foi... todo dia tem algo do gênero.
Nem vou comentar sobre o desejo geral de ir ao Rio de Janeiro, voltar ao Rio de Janeiro, conhecer o Rio de Janeiro, conhecer a Bahia, e que tal Brasília, e Fortaleza, ah, tão grande, tão grande esse país.
Tem outra coisa. Todos, eu disse, todos os portugueses com os quais conversei praticamente ignoram as influências africana, indígena, italiana
, etc.na cultura brasileira.
Parece aquela avó ciumenta que quando você começa a falar da
outra avó, muda de assunto. Aliás, eu tenho mesmo a impressão de que nosso parentesco é este. Irmãos que nada. O Vô não se conforma. Seja para elogiar, seja para criticar, o neto não lhe sai da cabeça. Já o neto, só fala do vô se perguntado : " Ah.. Meu avô é legal.".
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