Daí a pessoa me pergunta se me acostumei, se estou me adaptando, se vou me integrar. Muitas pessoas perguntam. É claro que eu sou estrangeira. A língua pode ser a mesma - e há controvérsia - a hospitalidade incrível, minha capacidade de adaptação proverbial que não muda nada. Para começar não tenho direitos políticos e olha que abuso disto. Leio sobre os meandros da vida nacional como se fosse ficção. O efeito colateral espetacular é que sinto o mesmo distanciamento da mãe pátria e percebo a futilidade de quase todas as angústias que vivi ao longo da vida. Ponto para o desterro. Para continuar faltam referências fundamentais da cultura, dos pequenos detalhes às grandes canções, das piadas incompreensíveis ao temores compartilhados, dos sabores da infância às manias nacionais, uma tonta, todo tempo a se espantar. A verdade é que para quem gosta de estudar e para quem a vida, sem novidade, nem vale a pena, não é de todo mal. A verdade é que o ser humano é tremendamente adaptável e o meu reino nem é deste mundo.
Me pergunto se daqui a alguns anos será possível esse estranhamento, considerando a ditadura da programação global das tvs a cabo e das séries americanas. Provavelmente não. Embora não me pareça que crianças e adolescentes portugueses se confundam com os nossos irmãozinhos. Infelizmente para nós.
Portugal é um país antigo, como se sabe, e portanto descolado. Entende-se, já viveu um bocado. Portugal só tem dez milhões de habitantes, uma capacidade produtiva que não é nenhuma Brastemp, mas se vira, ah, como se vira. É pobre , para os padrões europeus - para os nossos - dá vontade de rir quando começam a falar da terrível condição “da pobreza no interior do país”. Tem um passado colonial pelo qual não sentem culpa. Aliás, são da opinião que, em matéria de imperialismo, foram dos mais simpáticos e por isso nem gostam que falemos mal do nosso passado colonial. Mas eu sempre fico com a impressão que , no fundo, eles se orgulham de terem sido os reis da cocada preta e vivem para o sonho de voltar a sê-lo.
Perguntavam muito, nos primeiros dias, se eu estava gostando. É uma pergunta que só se faz aos turistas, eu acho. Só serve para a gente saber que impressão está causando. Ou para saber o grau de sinceridade do visitante. Eu gostava muito de perguntar isto aos turistas gringos no Brasil, especialmente aos estudantes americanos que andavam pela Bela Vista em intercâmbios de 6 meses. Wonderfull, amazing, diziam os tolinhos. Eu cutucava : mas a violência, e a miséria, e as crianças pedindo esmolas ? Veja bem, Nova York, eles diziam… e logo contra argumentavam , mas o povo brasileiro é tão amazing, wonderfull… Que coisa. É claro que turistas, em geral, só vêem a casca do negócio. Mas o Brasil, na minha opinião, é mesmo inenarrável, não importa o quanto a gente mergulhe … ou se afaste.
Me pergunto se daqui a alguns anos será possível esse estranhamento, considerando a ditadura da programação global das tvs a cabo e das séries americanas. Provavelmente não. Embora não me pareça que crianças e adolescentes portugueses se confundam com os nossos irmãozinhos. Infelizmente para nós.
Portugal é um país antigo, como se sabe, e portanto descolado. Entende-se, já viveu um bocado. Portugal só tem dez milhões de habitantes, uma capacidade produtiva que não é nenhuma Brastemp, mas se vira, ah, como se vira. É pobre , para os padrões europeus - para os nossos - dá vontade de rir quando começam a falar da terrível condição “da pobreza no interior do país”. Tem um passado colonial pelo qual não sentem culpa. Aliás, são da opinião que, em matéria de imperialismo, foram dos mais simpáticos e por isso nem gostam que falemos mal do nosso passado colonial. Mas eu sempre fico com a impressão que , no fundo, eles se orgulham de terem sido os reis da cocada preta e vivem para o sonho de voltar a sê-lo.
Perguntavam muito, nos primeiros dias, se eu estava gostando. É uma pergunta que só se faz aos turistas, eu acho. Só serve para a gente saber que impressão está causando. Ou para saber o grau de sinceridade do visitante. Eu gostava muito de perguntar isto aos turistas gringos no Brasil, especialmente aos estudantes americanos que andavam pela Bela Vista em intercâmbios de 6 meses. Wonderfull, amazing, diziam os tolinhos. Eu cutucava : mas a violência, e a miséria, e as crianças pedindo esmolas ? Veja bem, Nova York, eles diziam… e logo contra argumentavam , mas o povo brasileiro é tão amazing, wonderfull… Que coisa. É claro que turistas, em geral, só vêem a casca do negócio. Mas o Brasil, na minha opinião, é mesmo inenarrável, não importa o quanto a gente mergulhe … ou se afaste.
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